A indústria automotiva global atravessa sua maior transformação desde a introdução da linha de montagem por Henry Ford no início do século XX. O que antes era uma disputa de potência mecânica e engenharia de motores a combustão, hoje se tornou uma corrida tecnológica envolvendo software, semicondutores, inteligência artificial e química de baterias.
O volume global de vendas permanece relativamente estável — entre 88 e 92 milhões de veículos por ano —, mas a verdadeira transformação está ocorrendo em quem domina esse mercado e quais tecnologias lideram essa nova era da mobilidade.
1. Ranking global das montadoras (2025)
Apesar das profundas mudanças tecnológicas, o topo da indústria ainda é ocupado por grupos tradicionais. Porém, a entrada agressiva das montadoras chinesas começa a alterar rapidamente esse equilíbrio.
Ranking global por volume de veículos vendidos
| Posição | Grupo Automotivo | País de origem | Veículos vendidos |
|---|---|---|---|
| 1 | Toyota Motor Corporation | Japão | 11,3 milhões |
| 2 | Volkswagen Group | Alemanha | 8,98 milhões |
| 3 | Hyundai Motor Group | Coreia do Sul | 7,28 milhões |
| 4 | General Motors | EUA | 6,18 milhões |
| 5 | Stellantis | Multinacional | 5,48 milhões |
| 6 | BYD Company | China | 4,6 milhões |
| 7 | Ford Motor Company | EUA | 4,4 milhões |
| 8 | Geely Holding Group | China | 4,12 milhões |
| 9 | Honda Motor Company | Japão | 3,52 milhões |
| 10 | Nissan Motor Company | Japão | 3,2 milhões |
Principais grupos automotivos do mundo, suas marcas e alianças estratégicas
| Grupo Automotivo | País de origem | Vendas globais aproximadas | Principais marcas / divisões | Parcerias estratégicas |
|---|---|---|---|---|
| Toyota Motor Corporation | Japão | ~11,3 milhões | Toyota, Lexus, Daihatsu, Hino | Parceria tecnológica com Subaru e Mazda para plataformas híbridas e elétricas |
| Volkswagen Group | Alemanha | ~9 milhões | Volkswagen, Audi, Porsche, Skoda, Seat/Cupra, Bentley, Lamborghini | Cooperação com Ford para veículos comerciais e tecnologia elétrica |
| Hyundai Motor Group | Coreia do Sul | ~7,3 milhões | Hyundai, Kia, Genesis | Parcerias com empresas de hidrogênio e tecnologia de baterias |
| General Motors | EUA | ~6,1 milhões | Chevrolet, GMC, Cadillac, Buick | Cooperação tecnológica com Honda em plataformas elétricas |
| Stellantis | Multinacional (França/Itália/EUA) | ~5,5 milhões | Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Ram, Dodge, Opel, Alfa Romeo, Maserati | Parcerias com empresas de baterias e software automotivo |
| BYD Company | China | ~4,6 milhões | BYD (linha própria de elétricos e híbridos) | Integração vertical com produção própria de baterias e semicondutores |
| Ford Motor Company | EUA | ~4,4 milhões | Ford, Lincoln | Parcerias industriais com Volkswagen e investimentos em eletrificação |
| Geely Holding Group | China | ~4,1 milhões | Volvo Cars, Polestar, Lotus, Lynk & Co, Zeekr, Smart (joint venture) | Joint venture com Renault (Horse Powertrain) e parceria com Mercedes-Benz |
| Honda Motor Company | Japão | ~3,5 milhões | Honda, Acura | Cooperação tecnológica com General Motors em veículos elétricos |
| Nissan Motor Company | Japão | ~3,2 milhões | Nissan, Infiniti | Aliança global com Renault e Mitsubishi |
Dois fatos chamam atenção:
-
A ascensão das montadoras chinesas
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O crescimento acelerado dos veículos elétricos
Entre todos os grupos, o destaque absoluto é a BYD Company, que alcançou a 6ª posição global e passou a competir diretamente com fabricantes tradicionais.
2. A estratégia chinesa: integração total da tecnologia
O diferencial da BYD Company é seu modelo de integração vertical.
A empresa produz internamente:
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baterias
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semicondutores
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motores elétricos
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software
-
veículos completos
Essa estratégia reduz custos e acelera inovação.
Enquanto muitas montadoras dependem de fornecedores externos de baterias, a BYD desenvolveu sua própria tecnologia — incluindo a famosa Blade Battery, considerada uma das mais seguras do setor.
3. O “soft power” da Geely na indústria global
Outro grupo chinês que vem ganhando protagonismo é o Geely Holding Group.
Diferentemente da BYD, que cresce de forma direta com sua própria marca, a Geely adotou uma estratégia baseada em aquisições e parcerias globais.
Marcas controladas ou participações da Geely
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Volvo Cars
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Lotus Cars
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Polestar
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Smart (joint venture com Mercedes-Benz Group)
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Lynk & Co
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Zeekr
Essa estratégia transformou a Geely em uma espécie de “Suíça da indústria automotiva”, conectando diferentes tecnologias e mercados.
A Volvo Cars é hoje uma marca sueca em identidade, engenharia e posicionamento de mercado, mas pertence majoritariamente ao grupo chinês Geely Holding Group, um dos conglomerados automotivos que mais crescem no mundo nas últimas duas décadas.
A aquisição ocorreu em 2010, quando a Geely comprou a Volvo da Ford Motor Company por aproximadamente US$ 1,8 bilhão. Na época, muitos analistas duvidaram da capacidade de uma montadora chinesa administrar uma marca premium europeia. O resultado, porém, foi o oposto: a Volvo passou por um forte processo de revitalização tecnológica, expansão global e eletrificação da sua linha de veículos.
Hoje a Volvo funciona dentro do ecossistema industrial da Geely como uma espécie de centro de engenharia e desenvolvimento para tecnologias avançadas. A marca mantém sua sede, design e grande parte da engenharia em Gothenburg, na Sweden, preservando sua identidade escandinava, enquanto a Geely fornece capital, acesso ao mercado asiático e integração com outras marcas do grupo.
Esse modelo híbrido de gestão — capital chinês com engenharia europeia — permitiu à Volvo acelerar sua transição tecnológica e ampliar presença internacional.
Em termos de desempenho comercial, a Volvo se tornou uma das divisões mais importantes do grupo Geely no segmento premium global. Em 2024, a montadora atingiu um recorde histórico de 763.389 veículos vendidos no mundo, crescimento de aproximadamente 8% em relação ao ano anterior.
Esse resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento nas vendas de veículos eletrificados. No mesmo ano, a Volvo vendeu:
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175.194 veículos 100% elétricos (BEV)
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177.593 híbridos plug-in (PHEV)
Isso significa que 46% de todos os carros vendidos pela Volvo em 2024 já eram eletrificados, evidenciando a estratégia da marca de migrar rapidamente para a mobilidade elétrica.
Em 2025, o volume global da Volvo foi de 710.042 veículos, uma leve retração em relação ao recorde do ano anterior, refletindo um mercado global mais pressionado, principalmente na China e na Europa.
Os principais mercados da Volvo atualmente são:
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China
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Estados Unidos
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Reino Unido
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Alemanha
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Suécia
O modelo mais vendido globalmente da marca continua sendo o SUV XC60, com mais de 230 mil unidades comercializadas em 2025, reforçando a força da Volvo no segmento de SUVs premium.
Dentro do grupo Geely, a Volvo ocupa uma posição estratégica no desenvolvimento de plataformas e tecnologias. Diversas arquiteturas de veículos desenvolvidas originalmente pela engenharia sueca passaram a ser utilizadas por outras marcas do grupo, incluindo Polestar, Lynk & Co e alguns modelos da própria Geely.
O conglomerado Geely Holding Group reúne atualmente um portfólio amplo de marcas automotivas globais, entre elas:
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Volvo Cars
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Polestar
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Lotus Cars
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Lynk & Co
-
Zeekr
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Smart (joint venture com Mercedes-Benz Group)
Somando todas essas divisões, o grupo Geely ultrapassou 2,79 milhões de veículos vendidos globalmente em 2023, consolidando-se como um dos maiores conglomerados automotivos do mundo.
Dentro desse contexto, a Volvo representa a porta de entrada do grupo Geely no mercado premium global, competindo diretamente com fabricantes tradicionais como BMW Group, Mercedes-Benz Group e Audi AG.
Ao mesmo tempo, a marca sueca tornou-se uma peça-chave na estratégia de eletrificação do conglomerado. Modelos recentes como Volvo EX30 e Volvo EX90 simbolizam a nova fase da empresa, que pretende transformar sua linha completa em veículos totalmente elétricos até o final da década.
Assim, a Volvo continua sendo percebida globalmente como uma marca sueca premium, mas sua força financeira, expansão global e parte de sua estratégia tecnológica estão diretamente conectadas ao capital e à estrutura industrial da Geely.
4. A parceria estratégica entre Geely e Renault
Existe muita confusão no mercado sobre uma possível compra da Renault pela Geely.
Na prática, o que existe é uma parceria industrial através da empresa Horse Powertrain, uma joint venture criada entre:
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Renault Group
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Geely Holding Group
O objetivo da empresa é desenvolver:
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motores híbridos avançados
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tecnologias de combustão de alta eficiência
Ou seja:
A Renault não foi vendida, mas criou uma aliança tecnológica estratégica.
5. O Brasil como novo hub da eletromobilidade
O Brasil se tornou um dos mercados mais estratégicos do mundo para a transição energética.
Hoje o país ocupa a posição de 8º maior mercado automotivo global, com aproximadamente 2,3 milhões de veículos vendidos por ano.
Com a chegada das montadoras chinesas, o país começa a assumir também um novo papel: hub de eletromobilidade da América Latina.
6. O fenômeno BYD no Brasil
A operação da BYD Company no Brasil cresceu de forma extremamente rápida.
Vendas da BYD no país
| Ano | Veículos vendidos |
|---|---|
| 2022 | 4.000 |
| 2023 | 17.000 |
| 2024 | 76.713 |
| 2025 | cerca de 90 mil (estimativa) |
O crescimento entre 2023 e 2024 foi de aproximadamente 327%.
Principais modelos vendidos:
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BYD Dolphin
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BYD Dolphin Mini
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BYD Song Plus
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BYD Yuan Plus
-
BYD Seal
7. A fábrica da BYD na Bahia
A montadora adquiriu o antigo complexo industrial da Ford Motor Company em Camaçari, no estado da Bahia.
Capacidade de produção prevista
| Fase | Capacidade anual |
|---|---|
| Fase 1 | 150.000 veículos |
| Fase 2 | até 300.000 veículos |
A estratégia é transformar o Brasil em base de exportação para:
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Argentina
-
Chile
-
Colômbia
-
outros países do Mercosul
8. Participação das montadoras no Brasil
O mercado brasileiro ainda é dominado por marcas tradicionais.
Ranking de vendas no Brasil
| Marca | Participação |
|---|---|
| Fiat | ~21% |
| Volkswagen | ~17% |
| Chevrolet | ~11% |
| Hyundai | ~8% |
| Toyota | ~8% |
Essas montadoras pertencem principalmente a três grandes grupos:
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Stellantis
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Volkswagen Group
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General Motors
9. O domínio chinês nos carros elétricos
Apesar da liderança tradicional nos veículos a combustão, as montadoras chinesas já dominam grande parte do mercado elétrico brasileiro.
Estimativa de participação:
≈ 70% dos veículos 100% elétricos vendidos no Brasil vêm de marcas chinesas.
Principais fabricantes:
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BYD Company
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Great Wall Motors
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Chery Automobile
10. O gargalo da infraestrutura de recarga
O crescimento da frota elétrica cria um novo desafio: energia.
Segundo estimativas da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE):
Situação atual
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cerca de 4.800 pontos públicos de recarga
Necessidade para 2030
-
entre 80.000 e 100.000 pontos
Frota prevista
| Ano | Veículos eletrificados |
|---|---|
| 2024 | 177 mil |
| 2025 | ~220 mil |
| 2030 | até 1 milhão |
11. Oportunidade econômica
O investimento estimado em infraestrutura de recarga no Brasil pode ultrapassar:
R$ 15 bilhões nos próximos 5 anos.
Isso envolve:
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redes de eletropostos
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shoppings
-
supermercados
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postos de combustíveis
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condomínios residenciais
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estacionamentos corporativos
Montadoras e a nova dinâmica do mercado automotivo global
Mais informações importantes sobre a transformação da indústria automotiva global envolvem a rápida expansão internacional das montadoras chinesas. Nos últimos anos, empresas como BYD Company, Geely Holding Group, Chery Automobile e Great Wall Motor passaram de fabricantes regionais para protagonistas da nova fase da mobilidade mundial. Muitas delas já iniciaram operações comerciais ou industriais no Brasil, utilizando o país como porta de entrada para a América Latina.
A empresa que mais cresce nesse cenário é a BYD. Em 2025, a montadora registrou aproximadamente 4,6 milhões de veículos eletrificados vendidos globalmente, consolidando-se como uma das maiores fabricantes de automóveis do mundo e líder no segmento de veículos elétricos e híbridos plug-in.
Outro conglomerado importante é o Geely Holding Group, que controla marcas globais como Volvo Cars, Polestar, Lotus Cars e Lynk & Co. Somando suas divisões automotivas, o grupo vende cerca de 4 milhões de veículos por ano, posicionando-se entre os maiores fabricantes do planeta.
A Chery Automobile também tem apresentado crescimento acelerado. O grupo vendeu cerca de 2,6 milhões de veículos globalmente, tornando-se uma das maiores exportadoras de automóveis da China. Dentro de sua estratégia internacional surgiram novas marcas voltadas para expansão global, como Omoda e Jaecoo, criadas para competir em mercados internacionais com SUVs tecnológicos e de posicionamento mais premium.
Já a Great Wall Motor construiu sua força principalmente no segmento de SUVs e picapes. A empresa comercializa cerca de 1,3 milhão de veículos por ano, com marcas como Haval, Tank, Ora e Wey, e vem ampliando rapidamente suas exportações.
Esse movimento explica por que o Brasil se tornou um dos principais destinos da expansão dessas empresas. Além de ser o oitavo maior mercado automotivo do mundo, o país apresenta grande potencial de crescimento na eletrificação da frota, atraindo investimentos industriais e novas montadoras interessadas em utilizar o território brasileiro como plataforma de produção e exportação para a América Latina.
Montadoras chinesas que estão chegando ou expandindo no Brasil
| Montadora / Grupo | País de origem | Vendas globais aproximadas | Marcas ou divisões | Situação no Brasil |
|---|---|---|---|---|
| BYD Company | China | ~4,6 milhões | BYD | Expansão acelerada e fábrica em Camaçari (BA) |
| Geely Holding Group | China | ~4 milhões | Volvo, Polestar, Zeekr, Lynk & Co | Presença indireta via Volvo e possível expansão de novas marcas |
| Chery Automobile | China | ~2,6 milhões | Chery, Omoda, Jaecoo, Exeed | Produção e vendas consolidadas no país |
| Great Wall Motor | China | ~1,3 milhão | Haval, Tank, Ora, Wey | Fábrica em Iracemápolis (SP) e expansão de SUVs híbridos |
| SAIC Motor | China | ~5 milhões | MG | Estuda expansão comercial na América Latina |
| Leapmotor | China | ~300 mil | Leapmotor | Expansão internacional em estudo |
| Zeekr | China | ~120 mil | Zeekr (premium elétrico) | Possível entrada futura |
| Neta Auto | China | ~127 mil | Neta | Expansão global recente |
| GAC Group | China | ~2,5 milhões | Aion, Trumpchi | Avaliando entrada no mercado brasileiro |
Conclusão: a nova corrida automotiva
A indústria automotiva está entrando em uma nova fase histórica.
O mercado automotivo global reúne grandes fabricantes tradicionais, como Toyota Motor Corporation e Volkswagen Group, ao lado de empresas chinesas em expansão internacional, como BYD Company e Geely Holding Group.
Para o consumidor brasileiro, isso significa:
-
carros elétricos mais acessíveis
-
tecnologias avançadas chegando ao mercado de entrada
-
maior competição entre montadoras
Mas também significa algo ainda maior:
A necessidade de uma nova infraestrutura energética para sustentar a mobilidade elétrica nas próximas décadas.